Exposição virtual do Arquivo Nacional - Imagens da mulher brasileira

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Trabalho

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Na década da discoteca delegado proíbe o beijo em público.

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“Como é triste o nu que ninguém pediu, que ninguém quer ver, que  não espanta ninguém. O biquíni vai comprar grapete e o crioulo da carrocinha tem o maior tédio visual pela plástica nada misteriosa. E ai começa a expiação da nudez sem amor, a inconsolável solidão da mulher”
                                                                                                  Nelson Rodrigues 68

 A revolução Sexual chegou e deixou  não só as velhinhas de cabelos em pé,  como o cronista Nelson Rodrigues, Segundo ele o amor depois de Freud  virou doença, o marido não era o primeiro a saber como  sabia “antes do pecado”  e com um biquíni poderia se confeccionar apenas três fios dentais.
Anos 70, efervescente, sobre influencia das idéias do amor livre da contra cultura, ano do movimento hippie, das lutas armadas, esse mesmo ano em que os enamorados da cidade de Sertãozinho foram proibidos de atos libidinosos em público, para garantir a moral e os bons costumes.
Anos 70 dois anos antes do 1968 tão conhecido na História do Brasil  como o ano que não terminou, ano do AI 5,  da repressão, não seria surpresa que um delegado proibisse as bitocas em publico?
Em contrapartida o 1968 nos apresentou a revolução sexual, o questionamento dos valores que davam sustentação ao casamento burguês tais como a monogamia, a fidelidade, o ciúme, a virgindade sem falar no advento da pílula anticoncepcional .
Falando em advento da pílula anticoncepcional,  não posso deixar de escrever que esse processo foi mais complicado do que parece, pois houve a resistência que ia do temor dos efeitos colaterais até o preconceito, que via a pílula como instrumento de promoção da promiscuidade.
Um fato curioso, aconteceu após o desmantelamento e as prisões de mais de 700 lideres estudantis no 30º Congresso da UNE, foi à exibição, pelas forças militares, de caixas de pílulas anticoncepcionais apreendidas como  prova de que as moças tinham ido ao encontro para algo mais do que discutir  questões estudantis.
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 Pra muitos a geração Woodstock ou geração 68 foi utópica e influenciada pelo uso de drogas, mas ninguém pode negar que os movimentos do final dos anos 60 foram não só sexuais com sociais voltados a liberdade de minorias  Enfim após ler essa noticia no jornal O Debate09/05/70 não resisti sem “dar pitaco” sobre o assunto.


Fontes:
Jornal O Debate 09/05/1970
1968 O ano que não terminou – Zuenir Ventura